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Quero morarem mim.

Quero morarem mim.

🏡 A Casa: Abrigo dos Sonhos, Espelho da Alma

A alma é poeta, não é engenheira –

“A casa é nosso canto do mundo. É o primeiro universo do ser humano.”
Como nos ensina Gaston Bachelard, a casa não é apenas uma construção de tijolos e argamassa. Antes de tudo, ela é uma força que nos estrutura. Ela é o ninho que protege o nosso sonho. É o lugar onde o pensamento se aquieta, onde a imaginação pode voar segura. Lembrar da casa é reviver a sensação do abrigo absoluto. A casa nos habita profundamente; ela fica gravada em nós, como uma marca da nossa própria existência.

E é dessa poesia que partimos para entender a verdade mais profunda: A casa é a gente. Ela é o símbolo maior da nossa humanidade, o espelho da nossa psique.

🌿 O Rústico, o Natural e o Vínculo com a Terra

Existe uma beleza imensa no que é rústico, simples e originário. Quando pensamos numa casa feita de pedras do rio, de madeira crua, numa construção que nasce da terra e se mistura à paisagem, vemos a expressão da nossa essência mais pura.

O que é rústico nos conecta diretamente com Gaia, com a natureza, com a nossa parte selvagem e autêntica. A beleza real não está na perfeição artificial, mas na textura da pedra, na veia da madeira, na imperfeição que tem vida.

Quando nos afastamos disso e buscamos apenas o “sofisticado”, o frio, o industrial, o perfeito demais… acabamos nos afastando de nós mesmos. Perdemos o contato com o nosso lado mais simples, mais humano, mais acolhedor. Uma casa verdadeira não precisa ser “chique” para ser bela; ela precisa ser viva, ter alma, cheirar a mato, cheirar a trabalho, cheirar a vida. Ela precisa ser sólida como a rocha, mas acolhedora como um abraço.

✨ A Alma se Alimenta de Beleza, Não de Utilitarismo

E quantas vezes deixamos o utilitarismo invadir todos os espaços? Tudo tem que ter função, tudo tem que “servir para alguma coisa”, tudo tem que ser prático, rápido, eficiente. E nessa correria, a beleza vai sendo empurrada para o canto, vai sendo esquecida.

Mas esquecemos de uma verdade fundamental: O corpo se alimenta de necessidades, mas a alma se alimenta de beleza.

A gente não vive só de “útil”. A gente vive de poesia. A beleza da curva de uma madeira, da luz entrando na janela, da cor de uma parede, de um objeto que não serve para nada além de ser bonito… isso é o que nutre o nosso espírito. Quando priorizamos só o funcional, a casa fica fria, fica “morta”, porque tiramos o que ela tem de mais humano: a capacidade de encantar.

🔎 O Olhar de Jung e a Geografia da Alma

Na psicologia analítica, essa verdade se torna ainda mais clara. Quando sonhamos com uma casa — dormindo ou acordados — estamos sonhando com nós mesmos. A casa representa a totalidade do ser, a nossa personalidade em construção.

E na visão Personalística, entendemos o ser humano como unidade, como centro do mundo e da sua própria história. Não somos partes separadas, somos um todo integrado.

Há sonhos onde as casas não têm fim. Elas se aprofundam, se estendem, e lá no fundo, as paredes se abrem como se se conectassem magicamente a outros espaços, a outros mundos, a cômodos que pareciam pertencer a outras histórias, mas que na verdade são nossos também. Isso é a alma se expandindo! É a consciência entendendo que não estamos sozinhos, que somos parte de uma teia maior, que o nosso “eu” é vasto, cheio de salas e passagens que ainda vamos descobrir.

Cada canto dela revela um pedacinho da nossa história:

  • A Fachada: É como nos mostramos ao mundo.
  • Os Cômodos: Cada sala representa uma função da nossa vida.
  • O Porão e o Sótão: O inconsciente e a sabedoria acumulada.
  • As Conexões e Passagens: A nossa capacidade de se relacionar, de se expandir.

⚠️ Cuidar do Fora e Esquecer do Dentro

Muitas pessoas dedicam-se incansavelmente à “casa externa”: polem a fachada, enfeitam os ambientes, querem que tudo esteja perfeito para o outro ver… mas esquecem de investir na “casa interna”.

Esquecem que é a mesma coisa! Não existe separação entre o que está fora e o que está dentro. Se negligenciamos a nossa alma, a nossa casa reflete vazio. Se cuidamos da nossa essência com carinho, o ambiente externo se enche de luz e significado. Cuidar do espaço é, em última instância, cuidar de si.

⏳ O Perigo de Adiar o Sonho

E quantos de nós carregamos o desejo da “casa ideal”? A casa no sítio, a casa grande, a casa perfeita… e vamos adiando? Dizemos “um dia”, “quando der”, “depois”.

Mas a vida não espera. Adiar a casa dos sonhos é adiar a própria felicidade. É deixar de habitar plenamente a sua existência. O sonho da casa é o sonho de realização, de conforto, de ser quem realmente somos. E se ficarmos só na espera, o tempo passa, e as paredes da nossa própria alma ficam vazias, esperando por nós.

💡 Chegou a Hora de Habitar!

Então, que esse seja o nosso convite: É hora!

É hora de parar de só cuidar da aparência e passar a cuidar da essência. É hora de valorizar o que é nosso, o que é natural, o que tem textura e verdade. É hora de dar espaço para a beleza, para a arte, para o que não tem explicação lógica mas faz o coração ficar feliz.

Aceitar que somos como uma casa em constante reforma: com suas rachaduras, suas obras em andamento, seu caos criativo e sua beleza única. E aceitar também que somos vastos, que temos profundidade e que podemos nos conectar com o mundo sem perder a nossa essência.

Não deixe para morar depois. Não deixe para ser feliz “quando tudo ficar pronto”. A perfeição está no processo, está no viver agora, em contato com a terra e com a alma.

A casa é o símbolo da gente. E a gente merece morar dentro de si com muito amor, arte, simplicidade, beleza e presença. 🧡🌿✨🏡

📚 Para se aprofundar (Referências com carinho)

  • BACHELARD, Gaston. A Poética do Espaço. Sobre a casa como abrigo e íntimo.
  • JUNG, Carl Gustav. O Homem e Seus Símbolos. Sobre a simbologia da casa na psique.
  • Referencial Teórico: Abordagem Junguiana e Personalística.

📞 Contato: (71) 99405-6813

TC

Tannia Contreiras

Arteterapeuta com abordagem junguiana (IJBA) e Jornalista (UFBA). Pesquisadora da poética do espaço, símbolos do inconsciente e a geografia da alma.

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